segunda-feira, março 10

dia internacional de qualquer coisa



sexta-feira, manhã, universidade. duas mulheres distribuem sacos vermelhos com um quadrado branco, no qual está escrito a preto "equal pay day". dentro dos sacos, panfletos sobre a disparidade salarial entre géneros e informações sobre conferências. não muito longe, encostado a uma coluna, um profissional da segurança a garantir que nada acontece. "quão perigoso será distribuir isto aqui?", penso eu.

sexta-feira, fim da tarde, paragem de tram, pelo canto do olho vejo um casal. ele com ar de quem é capaz desenvolver um pensamento cada dois dias. o tram chega. entramos e sentamo-nos.  a minha suspeita confirma-se - são compatriotas. azar o dele, o ar condiz com o discurso. "duas paragens só", penso eu. entre a paragem um e dois, passamos por uma banda de fanfarra, todos vestidos e pintados de verde. pergunta ele "sabes porque estão assim?", "não, môre. porquê?", "porque amanhã é dia da mulher!". o tram pára. eu saio. sinto-me irritada com a piada alarve.

os "dia internacional de.." deviam ser empacotáveis, para serem literalmente usados como arma de arremesso. como é possível que um conceito como "Feminist: A person who believes in the social, political and economic equality of the sexes" seja ainda uma ideia tão radical e tão subversiva?  



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